Custos de produção do leite tem leve deflação em fevereiro

A queda do dólar ajudou a puxar o índice para baixo no período

01/04/2025 10:46
Custos de produção do leite tem leve deflação em fevereiro /Arte sobre foto de Wenderson Araujo/Trilux

O Índice de Insumos para Produção de Leite Cru do Rio Grande do Sul (ILC) encerrou o mês de fevereiro com uma leve deflação de 0,07%, conforme relatório divulgado pela Assessoria Econômica da Farsul nesta terça-feira (01/04).

No período, houve uma retração dos preços da silagem, do concentrado e da energia elétrica. Além disso, a colheita da safra de verão no país ajudou a reduzir o custo com soja e milho. A queda do dólar, que somou 4,3%, atenuou uma possível inflação, pois diminuiu o impacto das altas do combustível e de fertilizantes. O primeiro teve um aumento de 4,1% (um reflexo do aumento de 7,6% no preço do barril de petróleo), enquanto o segundo registrou uma alta de 0,5%.

No acumulado do ano, o índice apresenta uma deflação de 0,46%, em divergência com o Índice de Preços ao Produtor Amplo - Disponibilidade Interna (IPA-DI), que fechou em 1,06%. O índice, medido pela Fundação Getúlio Vargas, analisa uma cesta mais abrangente de commodities, o que faz com que uma certa divergência seja algo esperado.

Já nos últimos 12 meses, o ILC apresentou uma alta expressiva de 20,6%. Com exceção da energia elétrica (com alta de 0,03%), todos os outros insumos tiveram aumentos superiores ao do IPCA Alimentos no período analisado. O aumento dos preços em fertilizantes (23,1%), silagem (29,6%), concentrado (19,9%), sal mineral (7,4%), e combustíveis (8,9%), na comparação com o IPCA, indica que ?atribuir a inflação exclusivamente ao grupo alimentos e à energia elétrica é uma simplificação que desconsidera a complexidade do problema fiscal do Brasil. A inflação ao nível do produtor deve alcançar dois dígitos este ano, o que, inevitavelmente, irá pressionar ainda mais os preços ao consumidor.?

Para março, espera-se o primeiro movimento inflacionário do índice no ano, com uma previsão de aumento no preço da soja e do milho. Entretanto, o combustível deve diminuir, resultado de uma possível queda nas cotações de petróleo e da estabilidade cambial.

 

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